O mito da caverna de Platão e sua relação com os meios de comunicação da atualidade.
O contexto histórico em que vivia Platão e a formação da consciência crítica.
·Duração das atividades: 2 aulas
·Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno: Noções básicas de Filosofia e o pensamento filosófico. Juízos intuitivos.
Estratégias e recursos da aula:
1 PRÁTICA SOCIAL INICIAL DO CONTEÚDO
·Iniciar as atividades dialogando com os estudantes, no sentido de registrar o que os alunos pensam sobre a percepção que temos do mundo (mito da caverna). Neste primeiro momento é importante que o Professor estimule a turma a participar e que registre as concepções dos alunos sobre o tema proposto. A seguir, Professor, anote quais as curiosidades que os estudantes possuem sobre o tema e o que gostariam de discutir?
·Faça um levantamento dos programas de TV e rádio que os estudantes mais gostam de assistir. Qual o horário predileto para ver TV e ouvir rádio. Este levantamento contribuirá para o professor estabelecer uma analogia entre o mundo real e a ideologia dos meios do comunicação.
2. PROBLEMATIZAÇÃO:
Diante das questões levantadas pela turma, irão surgir várias concepções sobre o que é real, ideal e o ideológico. É importante neste momento, que o professor faça um desafio, ou seja, é a criação de uma necessidade para que o educando, através de sua ação, busque o conhecimento e estabeleça uma relação com os que já possuem.
Sugestões de questões que podem ser colocadas no quadro de giz para incentivar a turma sobre o tema:
Dimensão filosófica: O que é mito? Como Platão concebe o mito da caverna? Qual a relação do mito da caverna com os dias atuais?
Dimensão histórica: O homem enquanto construtor de sua história se utiliza do poder para dominar os outros? Como Platão relaciona o mito da caverna com o contexto histórico de sua época?
Dimensão social: Qual o papel dos meios da comunicação na formação da consciência crítica do ser humano?
3 INTRUMENTALIZAÇÃO:
Atividade 1
Durante a nossa existência construímos várias formas de pensar, inicialmente partimos do conhecido para o desconhecido e sempre buscamos novas formas de conhecer. Quanto mais buscamos compreender o mundo que nos cerca, mais percebemos a infinidade do universo.
Podemos pensar num mundo como o representado por Escher?
Quais os órgãos dos sentidos utilizaram para compreender esta imagem?
Será que nossos sentidos realmente representam o real?
O que é percepção e o que é realidade?
Solicite aos estudantes que anotem em seus cadernos os conceitos discutidos pela turma, pois eles demonstram nossas primeiras ideais para o tema proposto. No decorrer da aula, os adolescentes vão construindo novos conceitos, de forma que você Professor poderá perceber esta trajetória.
Atividade 2:
Convite seus alunos a análise da trilogia Matrix, pois através da Filosofia podemos analisar a mensagem de Matrix sobre a realidade ou a virtualidade que nos cerca. Levando em consideração o Mito da Caverna e a metáfora Matrix, podemos dizer que estas teorias são brilhantes!
The Matrix, a trilogia sobre a realidade ou ficção?
A série de filmes Matrix (The Matrix, EUA, 1999) conquistou milhares de admiradores pelo mundo todo e logo se tornou referência para reflexões filosóficas e diversas discussões na internet e entre os jovens.
Este trabalho pretende, a partir do filme, já assistido pela maioria alunos em suas casas, levá-los a uma série de discussões e reflexões.
O professor seleciona pequenos trechos do vídeo para discussão, tais como nas primeiras cenas que começa com a pergunta "o que é Matrix?".
...a principal mensagem da trilogia é um novo conceito da "verdade". Nessas películas cinematográficas, a "verdade" é que este mundo é apenas uma matrix ilusória. Observe um diálogo entre Morfeu e Neo e veja o que é a "verdade":
Neo:O que é Matrix?
Morfeu:Você quer saber o que é Matrix? Matrix está em toda parte [...] é o mundo que acredita ser real para que não perceba a verdade.
Neo:Que verdade?
Morfeu:Que você é um escravo, Neo. Como todo mundo, você nasceu em cativeiro. Nasceu em uma prisão que não pode ver, cheirar ou tocar. Uma prisão para a sua mente. (Chamada.com.br, 2008)
Sugerimos as opções abaixo para uso do vídeo com a turma:
·Locar o vídeo/DVD, selecionar as cenas e assistir pela TV.
·Baixar os vídeos do Youtube, gravar em CD/DVD, e assistir na TV ou no computador. Tem um programa gratuito, oVDownloaderque você pode instalar em seu computador para baixar os vídeos da internet e salvaros vídeos diretamente em MPEG, AVI (resolução original, 320X240, 640X480 e 320X240 com qualidade baixa) , iPod, PSP, MP3 (somente o áudio), VCD (PAL e NTSC), SVCD (PAL e NTSC), DVD (PAL e NTSC) ou no formato original, para sistemas operacionais em Windows e para o sistema Linux acesse o site:http://br.mozdev.org/firefox/youtube.
·Podem-se levar os estudantes ao laboratório de informática ou conectar um computador ligado a internet na TV ou datashow para assistir direto do site do youtube as principais cenas do filme.
·Outra opção seria gravar o vídeo em um pen-drive e utilizá-lo em uma TV com a entrada usb.
Professor acesse o site: http://eventosfinais.tripod.com/matrixeafilosofia.htm sobre a Matrix e a Filosofia, onde o autor apresenta uma análise da obra de Platão comparando-a com o Filme Matrix, trazendo vários conceitos para a nossa realidade.
Sugerimos a aplicação da dinâmica cine-fórum para esta atividade:
Objetivos:
Integrar o filme nas experiências de vida de cada participante.
Desenvolver o espírito crítico, através da formulação de opiniões pessoais.
Compreender a mensagem do mito da caverna, os valores artísticos e a técnica do filme.
Desenvolvimento:
1º Momento: preparação
Deixar claro para os alunos os objetivos a serem estudados com o vídeo.
Observar os diálogos com atenção.
Anotar os momentos interessantes.
Relacionar as informações do filme com o mito da caverna de Platão.
2º Momento:
Apresentação do filme.
3º Momento: Formação dos grupos.
Formar um pequeno grupo à frente.
Formar um grande grupo, para analisar e enriquecer as colocações obtidas na turma.
Observação: a discussão constitui o instrumento do desenvolvimento cultural. Para maior eficácia, convém que a discussão se realize logo após o posicionamento do filme, quando ainda estão vivas as imagens.
Infundir confiança para obter troca de idéias, falando pouco e ouvindo atentamente.
Ordene a discussão, evitando a dispersão.
Exige clareza e brevidade nas intervenções.
Cronometrista:
Dispor o tempo de maneira a que as etapas sejam cumpridas dentro dos espaços quantitativos adequados.
Avaliação:
O pequeno grupo será avaliado, através da identificação dos seus respectivos papéis no desenrolar da técnica do Cine-fórum pelo grande grupo e pelas produções a serem realizadas.
Atividade 3
A partir desta análise filosófica incentive a construção de histórias em quadrinhos, ilustrando o entendimento do grupo sobre o mito da caverna.
Para esta atividade, sugerimos o software HagáQuê (HQ) no site do NIED/UNICAMP. É um software livre, de fácil instalação em qualquer máquina.
·O professor poderá baixar o arquivo, apostilas explicando cada ferramenta que o programa oferece. Acesse o site em http://www.nied.unicamp.br/~hagaque/.
·Visite o blog de nossa escola, onde a Professora Cláudia Cristine Bertier aplicou o software da turma da Mônica para produzir história em quadrinhos em: http://cewkliteratura.blogspot.com/. Esta proposta de trabalho utiliza o serviço de um blog gratuito para publicar as produções dos alunos.
O professor de filosofia pode sugerir outras atividades reflexivas, realizadas em pequenos grupos, dramatizações, estudo de caso ou mesmo com discussões circulares.
4 CATARSE:
Neste momento os alunos expressam as soluções encontradas para os problemas iniciais. Passaremos a elaboração teórica da síntese, isto é, da nova postura mental. Os estudantes deverão elaborar um texto dissertativo que expresse suas reflexões sobre o tema proposto.
5PRÁTICA SOCIAL FINAL DO CONTEÚDO: Nova postura prática ante a realidade: Intenções, predisposições, prática, novo conhecimento.
A questão do pensar filosoficamente é um tema para ser debatido por todos. É muito importante, neste momento, que cada indivíduo faça uma reflexão sincera e expresse suas idéias.
O vídeo sobre a Meatrix faz uma releitura ao filme Matrix, nos leva refletir sobre as conseqüências da sociedade de consumo e o uso exacerbado do poder. Refletindo sobre as questões apresentadas, sugira aos alunos que escrevam uma lista de ações individuais e coletivas que podem tornar nossa sociedade mais justa, democrática, com qualidade de vida para todos, para ser afixada no edital da escola.
Toda a atividade precisa ser acompanhada, no sentido de percebermos o nível de aprendizagem e de elaboração mental diante do tema proposto. Oriente o estudante para ler atentamente a ficha abaixo de auto-avaliação e indique o nível em que se enquadra. É opcional colocar valores em cada nível.
Como você, situa-se diante das seguintes questões?
AUTO-AVALIAÇÃO
INICIANTE
4,0 pontos
APRENDIZ
6,0 pontos
PROFISSIONAL
8,0 pontos
MESTRE
10,0 pontos
Na sala de aula
Esteve presente
Contribuiu nas discussões
Participou com bons argumentos
Participou ativamente com argumentos bem fundamentados
Atividades coletivas
Acompanhou as atividades
Procurou participar
Empenhou-se na compreensão do tema e colaborou com todos
Participou ativamente em todos os momentos, contribuiu com todos na pesquisa.
Texto dissertativo
Teve dificuldades
Elaborou o texto com alguns argumentos
Produziu um texto fundamentado nas pesquisas
Produziu um texto bem fundamentado com argumentos além dos pesquisados.
Produção do mural
Participou da elaboração
Colaborou com sugestões
Contribuiu com vários tópicos de textos
Apresentou vários recursos para a composição do texto e ótimas idéias
REFERÊNCIAS
1.CHAMADA.COM.BR. Matrix e sua filosofia pós-moderna. Disponível em http://www.chamada.com.br/ acessado em 12/09/08.
2.GOURGAND, Pierre. As técnicas de trabalho de grupo. Lisboa: Ed. Portuguesa, 1978.
3.LIMA, Lauro de Oliveira. Dinâmica de grupo. Petrópolis: Vozes, 2007.
A avaliação também será realizada no decorrer das atividades, inicialmente observando a formação de conceitos dos estudantes, analisando seus questionamentos e intervenções, procurando, através do diálogo, perceber se houve apropriação dos conteúdos propostos e uma mudança de postura frente aos problemas levantados, no que se refere à superação de idéias do senso comum para a dimensão filosófica. O professor acompanhará fazendo leitura das produções dos estudantes, sugerindo as intervenções necessárias, incentivando leituras e a retomada de conteúdos, se necessário.
Sugerimos que as histórias em quadrinhos, produzidas pelos estudantes sejam colocadas no edital da escola.
Extraído de "A República" de Platão . 6° ed. Ed. Atena, 1956, p. 287-291
SÓCRATES – Figura-te agora o estado da natureza humana, em relação à ciência e à ignorância, sob a forma alegórica que passo a fazer. Imagina os homens encerrados em morada subterrânea e cavernosa que dá entrada livre à luz em toda extensão. Aí, desde a infância, têm os homens o pescoço e as pernas presos de modo que permanecem imóveis e só vêem os objetos que lhes estão diante. Presos pelas cadeias, não podem voltar o rosto. Atrás deles, a certa distância e altura, um fogo cuja luz os alumia; entre o fogo e os cativos imagina um caminho escarpado, ao longo do qual um pequeno muro parecido com os tabiques que os pelotiqueiros põem entre si e os espectadores para ocultar-lhes as molas dos bonecos maravilhosos que lhes exibem.
GLAUCO - Imagino tudo isso.
SÓCRATES - Supõe ainda homens que passam ao longo deste muro, com figuras e objetos que se elevam acima dele, figuras de homens e animais de toda a espécie, talhados em pedra ou madeira. Entre os que carregam tais objetos, uns se entretêm em conversa, outros guardam em silêncio.
GLAUCO - Similar quadro e não menos singulares cativos!
SÓCRATES - Pois são nossa imagem perfeita. Mas, dize-me: assim colocados, poderão ver de si mesmos e de seus companheiros algo mais que as sombras projetadas, à claridade do fogo, na parede que lhes fica fronteira?
GLAUCO - Não, uma vez que são forçados a ter imóveis a cabeça durante toda a vida.
SÓCRATES - E dos objetos que lhes ficam por detrás, poderão ver outra coisa que não as sombras?
GLAUCO - Não.
SÓCRATES - Ora, supondo-se que pudessem conversar, não te parece que, ao falar das sombras que vêem, lhes dariam os nomes que elas representam?
GLAUCO - Sem dúvida.
SÓRATES - E, se, no fundo da caverna, um eco lhes repetisse as palavras dos que passam, não julgariam certo que os sons fossem articulados pelas sombras dos objetos?
GLAUCO - Claro que sim.
SÓCRATES - Em suma, não creriam que houvesse nada de real e verdadeiro fora das figuras que desfilaram.
GLAUCO - Necessariamente.
SÓCRATES - Vejamos agora o que aconteceria, se se livrassem a um tempo das cadeias e do erro em que laboravam. Imaginemos um destes cativos desatado, obrigado a levantar-se de repente, a volver a cabeça, a andar, a olhar firmemente para a luz. Não poderia fazer tudo isso sem grande pena; a luz, sobre ser-lhe dolorosa, o deslumbraria, impedindo-lhe de discernir os objetos cuja sombra antes via.
Que te parece agora que ele responderia a quem lhe dissesse que até então só havia visto fantasmas, porém que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, via com mais perfeição? Supõe agora que, apontando-lhe alguém as figuras que lhe desfilavam ante os olhos, o obrigasse a dizer o que eram. Não te parece que, na sua grande confusão, se persuadiria de que o que antes via era mais real e verdadeiro que os objetos ora contemplados?
GLAUCO - Sem dúvida nenhuma.
SÓCRATES - Obrigado a fitar o fogo, não desviaria os olhos doloridos para as sombras que poderia ver sem dor? Não as consideraria realmente mais visíveis que os objetos ora mostrados?
GLAUCO - Certamente.
SÓCRATES - Se o tirassem depois dali, fazendo-o subir pelo caminho áspero e escarpado, para só o liberar quando estivesse lá fora, à plena luz do sol, não é de crer que daria gritos lamentosos e brados de cólera? Chegando à luz do dia, olhos deslumbrados pelo esplendor ambiente, ser-lhe ia possível discernir os objetos que o comum dos homens tem por serem reais?
GLAUCO - A princípio nada veria.
SÓCRATES - Precisaria de algum tempo para se afazer à claridade da região superior. Primeiramente, só discerniria bem as sombras, depois, as imagens dos homens e outros seres refletidos nas águas; finalmente erguendo os olhos para a lua e as estrelas, contemplaria mais facilmente os astros da noite que o pleno resplendor do dia.
GLAUCO - Não há dúvida.
SÓCRATES - Mas, ao cabo de tudo, estaria, decerto, em estado de ver o próprio sol, primeiro refletido na água e nos outros objetos, depois visto em si mesmo e no seu próprio lugar, tal qual é.
GLAUCO - Fora de dúvida.
SÓCRATES - Refletindo depois sobre a natureza deste astro, compreenderia que é o que produz as estações e o ano, o que tudo governa no mundo visível e, de certo modo, a causa de tudo o que ele e seus companheiros viam na caverna.
GLAUCO - É claro que gradualmente chegaria a todas essas conclusões.
SÓCRATES - Recordando-se então de sua primeira morada, de seus companheiros de escravidão e da idéia que lá se tinha da sabedoria, não se daria os parabéns pela mudança sofrida, lamentando ao mesmo tempo a sorte dos que lá ficaram?
GLAUCO - Evidentemente.
SÓCRATES - Se na caverna houvesse elogios, honras e recompensas para quem melhor e mais prontamente distinguisse a sombra dos objetos, que se recordasse com mais precisão dos que precediam, seguiam ou marchavam juntos, sendo, por isso mesmo, o mais hábil em lhes predizer a aparição, cuidas que o homem de que falamos tivesse inveja dos que no cativeiro eram os mais poderosos e honrados? Não preferiria mil vezes, como o herói de Homero, levar a vida de um pobre lavrador e sofrer tudo no mundo a voltar às primeiras ilusões e viver a vida que antes vivia?
GLAUCO - Não há dúvida de que suportaria toda a espécie de sofrimentos de preferência a viver da maneira antiga.
SÓCRATES - Atenção ainda para este ponto. Supõe que nosso homem volte ainda para a caverna e vá assentar-se em seu primitivo lugar. Nesta passagem súbita da pura luz à obscuridade, não lhe ficariam os olhos como submersos em trevas?
GLAUCO - Certamente.
SÓCRATES - Se, enquanto tivesse a vista confusa -- porque bastante tempo se passaria antes que os olhos se afizessem de novo à obscuridade -- tivesse ele de dar opinião sobre as sombras e a este respeito entrasse em discussão com os companheiros ainda presos em cadeias, não é certo que os faria rir? Não lhe diriam que, por ter subido à região superior, cegara, que não valera a pena o esforço, e que assim, se alguém quisesse fazer com eles o mesmo e dar-lhes a liberdade, mereceria ser agarrado e morto?
GLAUCO - Por certo que o fariam.
SÓCRATES - Pois agora, meu caro GLAUCO, é só aplicar com toda a exatidão esta imagem da caverna a tudo o que antes havíamos dito. O antro subterrâneo é o mundo visível. O fogo que o ilumina é a luz do sol. O cativo que sobe à região superior e a contempla é a alma que se eleva ao mundo inteligível. Ou, antes, já que o queres saber, é este, pelo menos, o meu modo de pensar, que só Deus sabe se é verdadeiro. Quanto à mim, a coisa é como passo a dizer-te. Nos extremos limites do mundo inteligível está a idéia do bem, a qual só com muito esforço se pode conhecer, mas que, conhecida, se impõe à razão como causa universal de tudo o que é belo e bom, criadora da luz e do sol no mundo visível, autora da inteligência e da verdade no mundo invisível, e sobre a qual, por isso mesmo, cumpre ter os olhos fixos para agir com sabedoria nos negócios particulares e públicos.
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